Brasileiros enfrentaram nazis usando holofotes em combate noturno

Brasileiro faz pose com seus prisioneiros alemães. Ele está com o fuzil de um deles

O ataque a Castelnuovo (di Vergato) era um desdobramento do Plano Encore, em que os brasileiros já tinham cumprido uma parte em Monte Castello e La Serra. Mais uma vez, o objetivo era proteger os flancos da 10ª Divisão de Montanha dos Estados Unidos e a movimentação foi de 04 a 07 de março de 1945 .

A 1ª Companhia do 6º Regimento de Infantaria, comandada pelo Capitão Alberto Tavares saiu em patrulha no dia 04 de março de 1945 para provocar o inimigo, para que eles denunciassem as posições que ocupavam e o I e II Batalhão pudessem ajustar seus tiros de morteiros. Deu certo e com explosivos vindos de várias direções, os alemães abandonaram o ponto identificado como Cota 702, logo tomado pelos brasileiros.

Luta continua

O próximo passo foi partir da Cota 702 para a Cota 720 e para o morro do Soprassasso, um paredão de pedra que dava uma excelente vista aos alemães.

Partiram para a missão no dia 05 de março, às 5h30, homens do 1º Batalhão do 6º regimento de Infantaria e do 2º Batalhão do 11º Regimento de Infantaria. Todos os rádios ficaram desligados até às 6h, para não denunciar a movimentação.

O pessoal do 11º Regimento caiu em campo minado. Os homens do 6º pararam por conta da resistência alemã ferrenha, ao que saiu em auxílio o próprio Major Carlos Gross que comandava o Batalhão para andar junto aos soldados e animá-los. O relógio já marcava 14h30. Depois disso os homens avançaram com vigor rumo à Cota 720.

Nessas horas, o 1º Batalhão do 11º Regimento tinha contornado pelo Sul e se apossado de Precaria. O 2º Batalhão do 11º Regimento se aproximou da vila pelo sudeste. Henrique Cordeiro Oest e seus homens do 2º batalhão do 6º Regimento estavam em posse de Soprassasso a sudoeste. Os alemães tinham sido cercados e só lhes restava fugir pelo norte.

Batalha nas sombras

Mapa do ataque a Castelnuovo

Escurecia e o General Willis D. Crittenberger, Comandante Aliado do Teatro de Operações do Mediterrâneo pressionava o Comando do Brasil, pois, queria a cidade antes do anoitecer. O comandante do 6º Regimento, Nelson Mello, deu a ordem de entrar na vila. A Artilharia brasileira mandou bombas, a Engenharia limpou vias de minas e os soldados foram avançando.

Quando ficou escuro, dos pontos mais altos em volta e que já estavam nas mãos dos brasileiros, os americanos ligaram quatro refletores para guiar a Companhia do Capitão Aldenor Maia, do 1º Batalhão do 6º Regimento. O pedido foi feito pelo Comando do 6º Regimento. Às 22h os brasileiros atingiram seus objetivos.

De certa forma, foi uma vingança pessoal dos soldados e do Capitão Aldenor, pois, em outubro do ano anterior, a mesma tropa da 232ª Divisão Alemã que defendia Castelnuovo, tinha botado aquela mesma companhia para correr em Barga, após um contra-ataque que só não terminou em um cerco alemão porque os brasileiros recuaram ordenada e rapidamente. Agora os alemães é quem tinham que recuar. O General Willis D. Crittenberger não poupou elogios aos brasileiros depois do feito.

Mapa das ações ao lado Castelnuovo

Para os alemães foi uma surpresa

Ernani Ayrosa da Silva conta que com o ataque os alemães foram pegos literalmente com as calças nas mãos, pois não imaginavam que os brasileiros fossem atacar de noite. Alguns foram feitos prisioneiros jantando e outro sentado no vaso sanitário lendo um documento.

Com a surpresa do ataque, o avanço do 11º Regimento e a movimentação da Engenharia, outra batalha poderia ser levada em frente, em Vergato, mas essa é outra história.

Relato de jornalista

Joel Silveira, dos Diários Associados subiu Castelnuovo poucas horas depois da consolidação da posição. Ele diz que encontrou o comandante do 6º Regimento, Nelson de Mello e que havia crateras de bombas fumegando. Até o dia 07 de março ainda ocorriam tiroteios esporádicos por conta de alemães que tinham ficado para trás para agir como snipers e atrasar os brasileiros. Foram pegos 91 prisioneiros em Castelnuovo. Havia homens da 232ª Divisão (General Von Gablenz), da 29ª Divisão Panzer (general Fritz Polack) e da 114ª Divisão Ligeira (General Strahamer).

Do lado brasileiro foram 68 baixas, entre mortos, feridos e acidentados. Eram 35 do 6º Regimento e 33 do 11º Regimento.

No dia 07 acharam um corpo alemão já fedendo bastante. Outro estava ferido, foi socorrido pelos brasileiros, mas não resistiu e morreu. Os Pracinhas fizeram o enterro e Joel ficou bem chateado porque os homens do Pelotão de Sepultamento trataram aquele homem com extremo cuidado, como se fosse um brasileiro. Ele chegou a lembrar aos soldados que os alemães deixaram corpos brasileiros por meses sem enterrar em Monte Castelo e Abetaia.

Os homens cavaram a sepultura, colocaram o corpo lá dentro e responderam de maneira seca para o jornalista:

-Morreu e acabou-se!

Joel, envergonhado entendeu. Não era preciso desumanizar o próximo e mesmo que fosse um inimigo deveria ser respeitado.

Quanto aos snipers, foram sendo mortos ou presos. Um dele foi pego ferido 10h depois do fim dos combates. Joel revirou as casamatas e achou cartas de alemães que trouxe com ele para o Brasil.

Alemães enterraram patrulheiros

Três corpos brasileiros foram achados nas redondezas de Castelnuovo. Os mortos estavam enterrados lado a lado e eram patrulheiros tombados em 24 de janeiro de 1945. Foram identificados como o Cabo Carneiro da Silva e os soldados Paes de Castro e José da Silva. Na cruz os alemães escreveram: 3 Tapfere – Brasil – 24.01.1945 (Três bravos), que provavelmente morreram lutando até a última bala. Eram os alemães reconhecendo o mérito dos inimigos também.

Ali terminava o Plano Encore. Os brasileiros seriam chamados novamente em breve, dessa vez na Ofensiva de Primavera…

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Livros consultados

Il Brasile in guerra, Andrea Giannasi, 2004

O Paraná na FEB, José Rodrigues, 1954

A FEB por um soldado Joaquim Xavier da Silveira, 1989

Memórias de Um Soldado Ernani Ayrosa da Silva, 1985

Heróis do Brasil, Giovanni Sulla e Ezio Trota, 2005

Fratelli sulla montagna, Giovani Sulla e Daniele Amicarella, 2016

35 anos depois da guerra, Agostinho José Rodrigues, 1981

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