Ignorância fez Brasil rejeitar local de treinamento mais adequado para a 2ª Guerra

treinamento moro do Gericinó, RJ

Pracinhas treinando no Morro do Gericinó, no Rio de Janeiro

As tropas brasileiras poderiam ter desembarcado no front italiano sabendo qual terreno e adversidades climáticas enfrentariam na Itália. Mas a ignorância do governo em saber qual seria o front destinado à Força Expedicionária Brasileira (FEB) fez o país rejeitar local de treinamento mais adequado para a 2ª Guerra.

É o que aponta o historiador e pesquisador Dennison Oliveira no livro Aliança Brasil-EUA. Segundo ele, as unidades da FEB poderiam ter sido concentradas na área destinada à futura Academia Militar das Agulhas Negras, inaugurada já em 1944, e utilizadas as áreas próximas na Serra da Mantiqueira para treinar seus efetivos.

“Nesse caso, os soldados da FEB teriam sido treinados numa região cujo clima, altitude e topografia eram em tudo semelhante aos dos Montes Apeninos: altas montanhas, escarpas íngremes, vales dominados pelas alturas vizinhas, temperaturas extremamente baixas, chuva, nevoeiro, cerração, geada e até mesmo neve estariam disponíveis para dar o máximo de realismo ao treinamento dos pracinhas brasileiros”, escreve Oliveira.

Contudo, segundo ele, por se encontrarem na total ignorância do front a que seria destinada a FEB, “as autoridades no Ministério da Guerra rechaçaram essa possibilidade, alegando que a área, justamente por ser muito montanhosa, não seria adequada para treino”.

Em contraposição, as tropas dos Estados Unidos que lutaram junto com os brasileiros na Guerra tiveram um treinamento especializado para enfrentar as gélidas temperaturas da Europa. Era a 10.ª Divisão de Montanha que foi formada por esquiadores experientes, alpinistas e montanhistas. Essa divisão chegou ao front logo após os brasileiros terem desembarcado. Eles entraram em linha entre dezembro e janeiro para atuar especificamente na Linha Gótica, uma cadeia montanhosa que divide a Itália ao meio na região norte, onde os brasileiros vinham batalhando desde novembro de 1944 e aprendendo na prática, em meio à neve, como era combater em regiões com montanhas e com baixas temperaturas. Brasileiros e americanos se entenderam bem  nas batalhas e em várias ações, como Monte Castello, La Serra e Castelnuovo, os brasileiros protegeram os flancos dos americanos.

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