Pacto Maldito: agosto marca 79 anos de união entre Stalin e Hitler

 

Dois dos mais tiranos governantes do século 20 travaram um acordo mútuo que esteve em vigor em plena 2ª Guerra Mundial. O pacto Ribbentrop-Molotov (também chamado de Pacto Germano-Soviético) foi firmado, em Moscou, entre a Alemanha nazista de Adolf Hitler e a União Soviética de Josef Stalin. A assinatura ocorreu no dia 23 de agosto de 1939, praticamente uma semana antes do início do maior conflito do século passado assombrar o planeta.

O acordo durou até junho de 1941, quando Hitler quebrou o pacto. Tropas nazistas formadas por 2,7 mil aviões, 3 mil tanques, 600 mil cavalos e 4 milhões de soldados avançaram sobre o território soviético. Até então, a URSS era praticamente uma coadjuvante em pleno cenário de guerra. O acordo firmado dois anos antes previa um pacto de não agressão. A operação contra os soviéticos foi batizada de Barbarossa, uma homenagem ao imperador germânico do século 12 Frederico Barba-Roxa.

O pacto de não agressão estabelecia também o compromisso pela busca de soluções pacíficas entre ambas as nações, a intenção de estreitar os laços econômicos e comerciais e ajuda mútua. Mas o que Hitler mesmo queria era, por meio do pacto, ganhar tempo para tentar invadir e ocupar o território soviético. Em seu livro Mein Kampf, publicado em 1925, ele já falava da necessidade de “expandir-se para Leste” e dominar as terras da Europa Oriental.

Diante da investida contra seu território, Stalin se juntou aos Aliados para contra-atacar os nazistas. O Exército Vermelho, contudo, estava obsoleto. A maioria dos tanques, por exemplo, sequer tinha rádios para as tropas se comunicarem. Stalin emitiu uma ordem que proibia os soldados a recuarem. Quem se rendesse ou recuasse seria tratado como traidor e teria a família inteira enviada para os campos de prisioneiros da URSS.

Um mês após a investida nazista em solo soviético, os Estados Unidos, em sinal de respeito à resistência contra a Alemanha hitlerista, enviaram reforço bélico, como sete mil tanques e toneladas de armas, para reforçar as tropas de Stalin. A virada desse campo da batalha só ocorreu na Batalha de Stalingrado, às margens do Rio Volga. No mês de agosto de 1942 as tropas germânicas tentaram invadir a cidade.

Porém, uma manobra do Exército Vermelho cercou as forças alemãs. No meio disso tudo, veio o inverno que alcançou naquela região 41°C negativos. As tropas alemãs não estavam preparadas para um frio tão rigoroso. Mesmo com metade das tropas dizimadas, só em setembro de 1943 é que as tropas nazistas se renderam. Era o início do fim do nazismo. Stalin ainda ordenou em 1944 que os soviéticos avançassem, com dois milhões de soldados, rumo a Berlim.

Brasil

Se no cenário global, o regime capitalista dos Estados Unidos e o comunista da União Soviética se uniram para derrubar um inimigo maior. Nno lado brasileiro, havia muitos adeptos do nazismo – inclusive dentro da cúpula do governo de Getúlio Vargas. Até mesmo o presidente Vargas chegou a flertar com os governos fascistas de Hitler, na Alemanha e de Mussolini, na Itália.

Já o comunismo estava, pelo menos oficialmente, proibido no Brasil. O Partido Comunista do Brasil (PCB), fundado em 1922, entrou na ilegalidade, decretada pelo governo, em 1935.

“A partir de 1942, porém, após a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial para combater o nazi-fascismo, a posição dos comunistas mudou. O PCB adotou a tese da “união nacional”, afirmando que todos os brasileiros deveriam dar apoio à política de guerra do governo Vargas e lutar pela normalização democrática do país. Na época, não só no Brasil, mas em todo o mundo, a palavra de ordem dos diversos partidos comunistas era apoiar os governos que combatessem o nazi-fascismo. Outro elemento que reforçou a mudança de posição do PCB foi o fato de que, em função das alianças estabelecidas durante a guerra, em abril de 1945 Vargas restabeleceu as relações diplomáticas do Brasil com a União Soviética”, escreve a pesquisadora Dulce Pandolfi.

Na FEB existiam comunistas. São exemplos desses comunistas Dillermano Mello do Nascimento, Jacob Gorender, Henrique Cordeiro Oest e Salomão Malina, que mais tarde, no pós-guerra, durante a ditadura civil-militar foram vítimas de perseguições políticas.

No acampamento de Francolise, onde os brasileiros ficaram acampados aguardando o retorno para Brasil quando a guerra acabou, Joaquim Xavier da Silveira fala que ocorriam debates políticos. “Dentro da FEB, como não poderia deixar de ser, havia graduados e oficiais altamente politizados, inclusive comunistas e mesmo alguns ativistas. Discussões sobre política, uma espécie de tabu durante a campanha, passaram a ser uma constante. Os oficiais, temendo que a disciplina pudesse ser arranhada, resolveram tomar providências. Mas esse período durou pouco”, escreveu no livro “A FEB por um soldado”, de 1989.

Em outubro ainda de 1945 o PCB retornou à legalidade, obtendo seu registro eleitoral.

 

Fontes: FGV, History.com e Dossiê Super Interessante: 100 anos da Revolução Russa

Fotos: WikiMedia Commons/Reprodução

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