RELATOS SECRETOS: O RETORNO E A DISSOLUÇÃO DA FEB

Grande parte dos 25 mil homens enviados ao front da 2ª Guerra Mundial na Itália retornou ao Brasil entre os meses de julho e outubro de 1945. Nos relatórios secretos que o General João Batista Mascarenhas de Moraes, Comandante da Força Expedicionária Brasileira (FEB), deixou, especifica-se que na maioria dos casos foi usado navios de transporte dos Estados Unidos. O local de partida para a terra natal era o Porto de Nápoles. Era, enfim, a despedida brasileira da guerra mais violenta do século 20. O combate ao nazifascismo havia sido cumprido com êxito,

Abraço de um pracinha em seu familiar durante o retorno da guerra. Foto do acervo de “O Globo Expedicionário”

               Mascarenhas de Moraes deixou escrito três volumes de relatórios secretos sobre a participação brasileira na 2ª Guerra Mundial. Cada volume contém mais de 150 páginas e se tornaram públicos apenas em 2018. Sobre o retorno ele escreveu que “as relações do pessoal embarcado eram, com antecedência, enviadas para o Brasil, por intermédio de oficiais que viajavam por via aérea”.

                Foi durante a saída dos primeiros navios da Itália que a notícia da dissolução da FEB chegou ao comandante.  Por meio do Aviso 217-185, de caráter “Reservado”, do dia 6 de julho de 1945, foi comunicado que as unidades da FEB passariam a ser subordinadas ao General Comando da 1ª Região Militar, no Rio de Janeiro. “Era a ordem visando a dissolução gradativa da FEB depois de ter cumprido brilhantemente sua missão nos campos de batalha de além-mar”, confidenciou Mascarenhas de Moraes.

“Desta maneira, à proporção que chegavam à capital da República, as unidades que se cobriram de glórias defendendo o Brasil tomavam novos destinos”, completou.

Ao chegarem ao Brasil, o governo federal praticamente abandonou os pracinhas. Carregados com marcas físicas e psicológicas por tudo que vivenciaram na guerra, não houve qualquer política pública para reintegrar esses pracinhas à sociedade civil. Ressalta-se que metade do corpo militar enviado para combater as forças nazistas era composto por civis com pouca experiência militar, a não ser a do tempo de serviço militar obrigatório.

Doentes

Um dado que consta no relatório de Mascarenhas de Moraes é de que desde setembro de 1944 foram iniciadas as evacuações dos pracinhas e oficiais que estavam feridos. Essas evacuações prosseguiram até outubro de 1945. No documento consta que foram evacuados um total de 2.041 pessoas, entre oficiais e praças –  desses, 90 foram para os EUA. No entanto, quando os Mascarenhas redigiu o seu relatório – muito provavelmente – a computação dos dados finais do saldo da guerra não tinha sido terminada. Ao todo, depois de 239 dias de ação na Europa, as tropas brasileiras contabilizaram 467 soldados mortos e 2.722 feridos de um total de 25 mil homens enviados para o campo de batalha.

Leias as demais matérias sobre os relatórios de Mascarenhas:
https://jornalismodeguerra.wordpress.com/2020/07/31/relatos-secretos-faltava-armamento-quando-os-brasileiros-chegaram-a-italia/

https://jornalismodeguerra.wordpress.com/2020/07/22/relatos-secretos-cenario-de-balburdia-para-montar-os-regimentos/

https://jornalismodeguerra.wordpress.com/2020/09/18/relatos-secretos-recepcao-americana-aborreceu-comando-brasileiro/

https://jornalismodeguerra.com/2020/10/16/relatos-secretos-em-12-dias-400-km-e-60-vilas-libertadas-na-reta-final-da-guerra/

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