Paraná cria grupo para estudar luta dos pracinhas contra o nazifascismo

A Legião Paranaense do Expedicionário e o Museu do Expedicionário anunciaram a criação do “Grupo de pesquisa em História da Casa do Expedicionário – GPHCEx”. A iniciativa tem como objetivo fomentar e incentivar os estudos sobre a Força Expedicionária Brasileira – FEB, contingente nacional que lutou na Segunda Guerra Mundial contra o nazifascismo, em terras italianas, entre 1944 e 1945.

Museu do Expedicionário de Curitiba, que será a sede do Grupo de Pesquisa.

O formato do grupo é diferente, reunindo não só acadêmicos, como também reencenadores, pesquisadores informais e entusiastas. Para isso, foram criadas categorias para abranger o maior número de participantes possível.

Podem contribuir, interessados e interessadas do Brasil e do exterior, civis e militares, que terão o direito de se candidatar em pelo menos quatro chamadas por ano. Conforme a assessoria da imprensa do grupo, as linhas de pesquisa serão divulgadas nos próximos meses, bem como uma primeira chamada.

A Coordenação Geral está sob a responsabilidade do coronel de exército e historiador, Cristiano Rocha Affonso da Costa, tendo como membros fundadores, os pesquisadores Helton Costa, Vera Kamienski, Israel Barth, Jackson Francisco Lopes, Anna Claudia Juliace e Saulo Adami. Além deles, outros pesquisadores serão convidados nos próximos meses para compor um conselho diretor. A sede é em Curitiba, no próprio Museu do Expedicionário.

Revista acadêmica

O Museu do Expedicionário e a Legião Paranaense possuem um grande acervo de documentos referentes à FEB, trazidos pelos próprios combatentes e reunidos ao longo dos anos, material que já vem sendo digitalizado. São esses documentos que servirão de base para boa parte das pesquisas pretendidas.

Segundo o coordenador-geral, Cristiano, o intuito é fazer com que o acervo esteja disponível ao público interessado como forma de cumprir o objetivo de preservar a história e a memória da FEB no país e incentivar novas descobertas e reconfigurações de versões sobre a luta dos pracinhas. “A ideia é que pelo menos duas vezes por ano, façamos uma revista acadêmica com os principais artigos referentes à FEB e que foram produzidos ao longo do semestre. A revista será aberta para quem quiser participar”, explicou.

História de pesquisa

Desde os primeiros meses no pós-guerra, a Legião cumpriu um papel social e educativo importante na história do Paraná. Apoiava não só os ex-combatentes que passavam por dificuldades econômicas e sociais, mas também realizava eventos em prol da comunidade curitibana e do estado todo.

Na foto, da esquerda para a direita, diretores da LPE: Cel. Roncolatto, diretor de Relações Institucionais; Aramis Chagas Borges, Vice Presidente; Rachel Madureira Regnier, Presidente; Cel. Said Zendim, Diretor do Museu do Expedicionário e Cel Cristiano, Coordenador do Grupo.

Na área da pesquisa, reuniu ex-combatentes que publicaram obras que hoje servem como documentos históricos para quem precisa de informações sobre a FEB. Agostinho José Rodrigues, Alfredo Bertoldo Klas e José Dequech são apenas três nomes entre vários pracinhas que colaboraram com suas memórias para a posteridade.

Da mesma forma, soldados de todo o Paraná doaram acervos documentais e materiais para a formação do museu e para a reserva técnica da Legião Paranaense. Hoje, com diretores que são filhos e filhas de ex-combatentes e com o auxílio do Museu do Expedicionário, administrado pelo exército, a intenção é manter o trabalho de promoção e divulgação da memória da FEB, expandido-o para a sociedade, por meio de pesquisadores voluntários e interessados em não deixar apagar-se a memória da luta contra o nazifascismo e os autoritarismos.

“O trabalho que o grupo está se propondo a realizar é muito importante para a nossa história, para conhecermos o que foi a FEB, o que ela representou naquela época para o Exército e para o Brasil. Temos aqui, na Casa do Expedicionário, uma coletânea bastante grande de documentos que tratam deste assunto. Mais importante do que ter esses documentos, é disponibilizá-los para estudantes e pesquisadores que gostem da área”, explicou o coronel Said Zendim, Diretor do Museu do Expedicionário. Segundo ele, a catalogação e digitalização do acervo está bastante adiantada e haverá novidades em breve.

O vice-presidente da Legião do Expedicionário, Aramis Borges, que é filho do ex-combatente da FEB, Alberto Weinhardt Borges, que na guerra foi 3º sargento, também comemorou a criação do grupo. “No ano em que completamos 75 anos da Legião Paranaense e 70 anos da Casa do Expedicionário, recebemos com satisfação a notícia da criação do grupo. Será um alento para todos aqueles abnegados que mantiveram os trabalhos da Legião e do Museu. A missão será resguardar, preservar e divulgar a história de todos os nossos heróis que lutaram na Segunda Guerra, na Itália. Para nós da Legião será uma grande satisfação”, afirmou Aramis.

“Nas próximas semanas divulgaremos a chamada para novos membros e também teremos o início dos trabalhos do grupo. Temos ciência de que esta missão assumida hoje, no Paraná, será um marco desse tipo de pesquisa e nas produções sobre a temática brasileira na Segunda Guerra. Nesse sentido, também procuraremos outras instituições nacionais para enriquecer e para trocarmos informações sobre arquivos e acervos”, garantiu Cristiano.

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