Sabotagem na II Guerra: brasileiro e partigiani explodiram depósito alemão em Montese

Dias antes do ataque a Montese, em uma noite escura e com pouca visibilidade, o tenente do 11º Regimento de infantaria, Roberto Nappo em parceria de um partigiani (que não teve o nome registrado), atravessaram montes, bosques e conseguiram penetrar nada menos que 14 km dentro do território inimigo. Foi assim que atravessaram por fora da cidade medieval e foram dar em um depósito de munições alemão.

Roberto Nappo (na direita) com um amigo, em carro de combate. (Acervo do neto dele Rafael Nappo)

Roberto não levava armas, apenas um alicate e os explosivos iam com o partigiani, que era um exímio conhecedor do local e dos caminhos que desviavam das barreiras e postos de controle inimigos.

O depósito era dividido em três casas. O tenente teve tempo de colocar a bomba e esticou os fios pelas três. Depois, se enfiou debaixo de um monte de feno e juntou as pontas dos fios. Conforme o boletim interno da FEB que registrou o fato, a explosão foi tão intensa quanto um terremoto.

Contudo, a atividade culminou em baixas colaterais, porque em uma das casas os alemães haviam organizado um baile. Desse modo, civis que estavam juntos morreram na hora.

A ação teria sido importante para reduzir a capacidade combativa dos alemães que, mesmo assim, não foi baixa no dia do ataque à Montese, em 14 de abril de 1945, e nos dias que se seguiram, até a vitória final brasileira.

Roberto Nappo (Acervo do neto dele, Rafael Nappo)

Quem registrou a história, resumindo o boletim interno nº 127, de 7 de maio de 1945, foi Geraldo Batista de Araújo, que era Terceiro Sargento e que servia no Counter Intelligence Center (CIC) ou Serviço de Contra-espoionagem da FEB. Ele contou esse feito no livro “Caçando espiões”, de 1963.

Ele foi para a reserva e em 1952 chegou ao posto de capitão. Nappo faleceu em 2018, aos 104 anos de idade e morava em Belo Horizonte. Pelo ato, após a guerra ganhou a medalha Cruz de Combate, 1ª Classe, por ato de bravura individual. Ele ainda era possuidor de outras duas medalhas por atos de bravura coletiva, quando comandava soldados.

Essa história e outras estão no livro “Camarada Pracinha, amigo Partigiani: anotações brasileiras sobre a Resistência Italiana na Segunda Guerra Mundial”, de Helton Costa. O livro pode ser comprado neste link: https://clubedeautores.com.br/livro/camarada-pracinha-amigo-partigiani

Foto da capa, da cidade de Montese, é da Booking.com

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